quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PÉSSIMO I

Embarquei nesta viagem
truculenta, viagem de tormenta.
Muitos e muitos passageiros, eles
sem destino, sem roteiros.
Mais cobradores do que saldo
no bolso. Mais roedores do que
carne no osso.
O motorista não despista,
sai da pista.
Jesus balança e vale como qualquer
outro souvenir no retrovisor.
Alguns passageiros apresentam dor,
é o terminal. Outros apenas chegaram
mas já veem o mal.
Assentos desconfortáveis, suor
e outros fluidos corpóreos.
Todos na mesma viagem autofecundando
o seu jardim vida.
Uma hora, e não demora, o pneu estoura.
Uma hora o metal colide e nessa lide
ninguém tem cinto de segurança.
O carro virou. A gente virou extrato
de tomate. A viagem agora é de outros.

2 comentários:

Jayane Ribeiro disse...

Não cobram passagem, mas a estadia, em compensação...

Igres Leandro disse...

E ainda fazem greve vez ou outra, haha,