sábado, 8 de janeiro de 2011

SÓ UMA ELA

Elas são todos os aromas.
Elas vivem por aí, com seus
cabelos esvoaçantes, com seus
cílios falantes, com seus
lábios arquejantes, suas
peles resplandecentes.
E todas elas, todas elas,
enxergam na minha poesia
uma beleza distante, desconexa
das mãos do escritor.
Elas enxergam em mim o
recém-nascido do casulo,
escondido sob os óculos,
sob a barba.
Armadura que eu mesmo
construí. Soldada, blindada,
quase intransponível, repelente.
Armadura que ninguém habita.
Armadura que sou eu, por
ser assim.
Mas espero que, nesse crivo
demente haja fendas, e que
em uma delas passe gente.
E que, algumas delas, sejam elas.
Seja ela, corrigindo-me.
Acredito na monogamia, no
casamento e em canções de amor,
por mais ridículo que isso for.
Acredito nela, e para ela,
minhas perturbações serão charme.
Minhas críticas serão espertas.
Minha descrença será uma forma
alternativa de amor à vida.
E nela, os cabelos serão o próprio
vento. As manchas e sinais serão
meu mapa. O hálito será o frescor
da vida.
Nós, eu e ela, seremos cobertores,
um do outro. Nós seremos televisores
dessincronizáveis. Porque com vocês
outros, não há, e penso que nunca
haverá nenhuma ligação.
Então aguardo por ela, numa calçada,
sob a chuva que borra tudo.
Aguardo de guarda-chuva aberto.

À mãe dos meus filhos. Assine
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3 comentários:

Jossana disse...

... então quand começar cair as gotas na atmosfera correrei o mais elevado q as forças permitirem, até avistar um estranho apreciand a chuva.... ( rs ) .... é onda ..
curto seus escritos, muit bom....

Igres Leandro disse...

Haha. Não é má ideia, Jossana, mas não se esqueça de sair de casa com um guarda-chuva também.

Fico contente que você goste do que eu escrevo. Obrigado.

Jacy Dias disse...

Quem me dera ser tão boa jurista quanto você escritor!

Vc é extraordinário!