sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CARTA

A princípio, o amor gravita
sem destinatário.
Porém, ao passar do horário,
o amor fica solitário.
Odeio deixá-lo por aí, cabisbaixo,
sem saber aonde ir, mas o amor,
vez ou outra, tem mesmo de partir.
E vez ou outra, quando parte de
qualquer jeito, o amor extravia,
chega com defeito.
Amor não tem rastreamento, é
postado no escuro e tem de vencer
os cães pelo muro.
O que eu posto, vai mesmo
sem selo, porque, para sê-lo,
não pode identificar-se nem
limitar-se.
Meu amor, que pode ser
caneta falhada e folha amassada,
só chega quando não mais
tem paradeiro, e encontra,
desprevenido, seu coração
por primeiro.

3 comentários:

Jayane Ribeiro disse...

Pôxa, muito bonito! :)

Artemisia disse...

Espero não estar invisível. Tenho-o acompanhado Não quero vigiá-lo mas aprender com você. Você é muito criativo. Parabéns!

Igres Leandro disse...

Obrigado, Jayane!

Artemisia, fico feliz que você me acompanhe! Obrigado!